Conceito de duração
Duração é a quantidade de tempo — em dias, semanas, meses, horas ou minutos — requerida para executar a atividade. Em outras palavras, é a quantidade de períodos de trabalho necessários para que a atividade seja desempenhada por inteiro.
O computador não substitui a habilidade intelectual humana. De nada vale ter em mãos o melhor programa e o computador mais potente se os dados de entrada não fizerem sentido. Vale o ditado americano: garbage in, garbage out — se entra lixo, sai lixo.
Por isso, antes de criar arquivos e lançar dados mecanicamente, avalie a consistência do que está sendo informado ao programa.
Dias úteis, não dias de calendário
A duração estimada se refere sempre a dias (ou semanas etc.) úteis — aqueles em que efetivamente se trabalha. Uma atividade que vai consumir duas semanas de segunda a sexta tem duração de 10 dias, e não de 12 como a contagem do calendário sugere: sábado e domingo não são trabalhados e, portanto, não entram na conta.
É comum fornecedores e subempreiteiros darem prazos de entrega de material ou de execução de serviço em dias corridos. Confira sempre — 20 dias úteis são bem diferentes de 20 dias corridos.
Os softwares geralmente aceitam a entrada nas duas formas, em dias úteis e em dias corridos.
A unidade padrão
A unidade mais comum nos planejamentos de obra é o dia. A semana pode ser adotada em obras muito longas e na fase de pré-planejamento; horas podem ser o padrão em obras muito curtas, como paradas industriais. O importante é definir o padrão no início do planejamento e referenciar todas as durações a ele.
Por que a EAP volta aqui
Ao pensar em como determinar durações, reafirma-se a importância da Estrutura Analítica do Projeto. É muito mais preciso atribuir duração a uma atividade individualizada e simples do que a um pacote com múltiplos serviços envolvidos — "fundações", "concreto armado", "instalações elétricas", "montagens". A decomposição feita na EAP define as fronteiras de cada atividade e, por consequência, facilita a atribuição da duração.
Algumas especificações técnicas de órgãos americanos impõem duração mínima de 1 dia e máxima igual ao dobro da periodicidade de atualização da rede: com atualização semanal, a duração máxima é de duas semanas (10 dias); com atualização quinzenal, 30 dias, e assim por diante.
O autor prefere teorizar como 1 dia < d < 10 dias:
- Se a atividade tiver d < 1 dia, é pequena demais e deve se fundir a outra(s) para formar uma atividade mais longa.
- Se tiver d > 10 dias, deve ser desmembrada em pacotes menores (fase I e fase II, por exemplo).
Regras práticas
Ao atribuir durações, o planejador deve ter em mente algumas regras práticas:
| Regra | Significado |
|---|---|
| Avaliar as durações uma a uma | Estimar a duração de cada atividade analisando-a separadamente das demais. Para cada uma, assumir oferta suficiente de mão de obra, material e equipamento — a menos que se saiba de antemão que isso não é possível. |
| Adotar o dia normal | Calcular a duração com base na jornada normal. Admitir logo de saída hora extra e turno mais longo não é boa prática, porque induz tendenciosidade. A exceção são obras naturalmente executadas em turnos diurno e noturno — barragens, estradas, obras industriais. Não é o caso, por exemplo, de obras prediais. |
| Não pensar no prazo total da obra | A atribuição das durações deve ser imparcial. O planejador não deve se balizar pelo prazo total logo no início: monta a rede com durações calculadas de forma isenta e só então avalia se o total está coerente ou precisa de ajuste. O ideal é tratar cada atividade individualmente. |
| Dias úteis ≠ dias corridos | Duração é quantidade de períodos de trabalho e não se confunde com dias de calendário. Numa obra que trabalha de segunda a sexta, 15 dias úteis representam 4 dias a mais do que 15 dias de calendário. |
Muitos profissionais preparam o gráfico de barras já com o prazo total em mente e desenham as barras para caberem no prazo contratual ou na duração pretendida — é a famosa "conta de chegada".
O correto é montar o cronograma sem tendenciosidade, comparar o prazo obtido com o que se quer atingir e então, com base na técnica PERT/CPM, identificar os pontos mais recomendáveis para encurtar a duração total.
Fatores que afetam a duração
| Fator | Efeito |
|---|---|
| Experiência da equipe | Quanto mais experiente a equipe, maior a facilidade em realizar a atividade e menor o tempo necessário para executá-la. |
| Grau de conhecimento do serviço | Atividades novas, especiais ou pouco frequentes exigem um período de familiarização: metodologia construtiva, posicionamento de operários e equipamentos, identificação de interferências, análise de fontes de erro. A produtividade tende a crescer com o tempo — é a curva de aprendizagem. |
| Apoio logístico | A duração melhora com um suporte preciso, que garanta que os operários não percam tempo esperando material ou fazendo longos deslocamentos. |
Estimativa paramétrica
As durações estão sempre envoltas em alguma imprecisão, mas não podem ser mera adivinhação. O planejador precisa se apoiar em um parâmetro existente para estimar a duração provável de cada atividade.
No planejamento de obras, as composições de custos unitários do orçamento são a fonte por excelência para gerar durações. Composições são tabelas com os insumos do serviço, seus índices (ou coeficientes de consumo), custo unitário e custo total.
Índice e produtividade
Índice é a incidência de cada insumo na execução de uma unidade do serviço. É sempre expresso em unidade de tempo por unidade de trabalho: h/kg, h/m², min/un, dia/m³, semana/t.
Inversamente, produtividade é a taxa de produção de uma pessoa, equipe ou equipamento — a quantidade de unidades produzidas em um intervalo de tempo especificado, normalmente a hora. Quanto maior a produtividade, mais unidades são feitas no mesmo tempo; quanto mais produtivo o recurso, menos tempo ele gasta na tarefa.
índice de armador de 0,10 h/kg → produtividade de 10,0 kg/h
índice de 0,15 h/kg → produtividade de 6,67 kg/h
O índice também é chamado de Razão Unitária de Produção (RUP). Quanto menor a RUP, maior a produtividade; quanto maior a RUP, menor a produtividade.
Produtividade não é produção. Produção é a quantidade de unidades feitas em certo período; produtividade é a rapidez com que essa produção foi atingida.
Exemplo: um pedreiro assenta 800 tijolos em um dia de 8 horas; outro assenta os mesmos 800 tijolos em 12 horas. A produção dos dois foi igual, mas a produtividade do primeiro foi 50% maior — 100 tijolos/hora contra 67 do segundo.
Quando o planejador usa os índices gerados pelo orçamentista (há empresas em que as duas funções são do mesmo profissional), ganha um meio importante de amarrar orçamento e planejamento, pois os índices:
- revelam a produtividade orçada, que norteou a formação do custo da obra;
- dão um parâmetro de comparação entre orçado e realizado;
- representam o limite além do qual a atividade se torna deficitária;
- permitem detectar desvios;
- ajudam o gerente a estabelecer metas de desempenho para as equipes.
Quanto mais precisos e confiáveis os índices vindos do orçamento ou de especialistas, mais preciso e confiável será o cronograma.
Interpretar índices e produtividades de uma composição
Serviço: alvenaria de bloco cerâmico de 9 cm (largura) × 14 cm × 19 cm, juntas horizontais e verticais de 1,5 cm, incluindo fabricação da argamassa no canteiro. Unidade: m².
| Insumo | Unidade | Índice (ou coeficiente) |
|---|---|---|
| Pedreiro | h | 0,90 |
| Servente | h | 1,05 |
| Bloco | un | 35 |
| Cimento | kg | 3,2 |
| Arenoso | m³ | 0,010 |
| Areia | m³ | 0,015 |
As composições têm ainda as colunas de custo unitário e custo total, omitidas aqui por não serem relevantes ao problema.
O insumo principal de mão de obra — o "carro-chefe" do serviço — é o pedreiro, porque é ele quem dita o ritmo da produção. O índice 0,90 significa 0,90 h/m²: gasta-se 90% de uma hora (54 minutos) de pedreiro para executar 1 m² de alvenaria. Em 1 hora a produção é um pouco maior que 1 m² — mais precisamente 1 ÷ 0,90 = 1,11 m²/h, a produtividade do serviço.
Como o índice do servente é 1,05 h/m², a proporção servente/pedreiro é 1,05 : 0,90 = 1,16 : 1 — ou seja, 7 serventes para cada 6 pedreiros.
Identificar o índice que comanda o serviço e a produtividade da equipe
(i) Serviço: fôrma de chapa compensada para estruturas em geral, resinada, e = 12 mm, 3 reaproveitamentos. Unidade: m².
| Insumo | Unidade | Índice |
|---|---|---|
| Ajudante de carpinteiro | h | 1,20 |
| Carpinteiro | h | 1,20 |
| Chapa compensada | m² | 0,43 |
| Desmoldante | l | 0,10 |
| Prego 18 × 27 | kg | 0,25 |
| Pontalete 3" × 3" | m | 2,00 |
| Sarrafo 1" × 4" | m | 1,53 |
| Tábua 1" × 12" | m | 1,40 |
(ii) Serviço: escavação mecanizada de vala, com transporte para bota-fora a 800 m. Unidade: m³c (metro cúbico medido no corte).
| Insumo | Unidade | Índice |
|---|---|---|
| Escavadeira | h | 0,0186 |
| Caminhão (produtivo) | hprod | 0,0470 |
| Caminhão (improdutivo) | himprod | 0,0080 |
| Servente | h | 0,0372 |
(i) O carro-chefe é o carpinteiro. O índice 1,20 h/m² significa 1,20 hora de carpinteiro por m² de fôrma. A produtividade é 1 ÷ 1,20 = 0,83 m²/h. A equipe tem 1 ajudante para 1 carpinteiro, porque os índices são iguais.
(ii) O carro-chefe é a escavadeira. O índice 0,0186 h/m³c dá produtividade de 1 ÷ 0,0186 = 53,8 m³c/h. A equipe é de 1 escavadeira e 3 caminhões — (0,0470 + 0,0080) ÷ 0,0186 ≈ 3.
A produtividade nem sempre se refere a um operário ou equipamento individual. Ela pode ser associada a uma patrulha ou a um grupo de equipamentos.
Exemplo: 280 m³ de aterro compactado por hora de uma patrulha com 2 rolos pé de carneiro, 1 motoniveladora, 2 caminhões-tanque e 1 trator de pneus com grade de disco.
Do índice à duração
Entendidos índice e produtividade, o planejador calcula a duração das atividades. Usando os dados do Exemplo 6.1, para executar 160 m² de alvenaria — uma atividade como "alvenaria do 1º pavimento", "alvenaria da sala de controle" ou "muro externo" — os passos são:
Hh = quantidade (m²) × índice (h/m²) = 160 m² × 0,90 h/m² = 144 h de pedreiro
| Trabalho (Hh) | Equipe | Duração (horas) | Duração (dias)* |
|---|---|---|---|
| 144 | 1 pedreiro | 144 | 18 |
| 144 | 2 pedreiros | 72 | 9 |
| 144 | 3 pedreiros | 48 | 6 |
| 144 | 4 pedreiros | 36 | 4,5 |
| 144 | 6 pedreiros | 24 | 3 |
| 144 | 8 pedreiros | 18 | 2,25 |
* Considerada jornada diária de 8 horas.
O jogo entre efetivo e prazo
A duração é inversamente proporcional ao tamanho da equipe. As 144 horas de pedreiro podem ser 3 pedreiros trabalhando 6 dias, 2 pedreiros trabalhando 9 dias ou 6 pedreiros trabalhando 3 dias. A duração varia com a equipe, mas o trabalho permanece constante: aumentando os recursos, o tempo diminui. É o que se chama em inglês de trade-off entre equipe e duração.
Dois raciocínios possíveis
O planejador sempre escolhe entre dois caminhos: ou define o efetivo e calcula a duração, ou fixa a duração e calcula a equipe necessária.
| Processo | Aplicação |
|---|---|
| Dimensionar a DURAÇÃO em função da equipe | Quando a quantidade de recursos é restrita e passa a ser determinante — por exemplo, quando se sabe de antemão que só haverá duas escavadeiras na escavação, ou que a equipe de alvenaria terá necessariamente 4 pedreiros. |
| Dimensionar a EQUIPE em função da duração | Quando a duração é imposta e a incógnita é a quantidade de recursos — obras com ciclos de produção predefinidos (5 dias de alvenaria por pavimento, 10 dias de pintura por casa) ou duração fixada por condicionante externa (o desvio do rio não pode passar de 2 meses porque começa a cheia). |
Assentamento de telha cerâmica
Quantitativo de 200 m²; índices de pedreiro e servente de 0,8 h/m² e 1,6 h/m². Dia de 8 horas. Determinar:
(i) a produtividade de cada recurso e a equipe básica;
(ii) a duração, sabendo que serão usados 5 pedreiros e 10 serventes;
(iii) a quantidade de operários para executar a atividade em 10 dias.
(i) A produtividade é o inverso do índice:
Pedreiro (P): 1 ÷ 0,8 = 1,25 m²/h ou 10 m²/dia
Servente (S): 1 ÷ 1,6 = 0,625 m²/h ou 5 m²/dia
Logo, uma equipe básica de 1P + 2S produz 10 m²/dia.
D = 160 h ÷ (5 pedreiros × 8 h/dia) = 4 dias com a equipe 5P + 10S
n = 160 h ÷ (10 dias × 8 h/dia) = 2 pedreiros → equipe = 2P + 4S
Há várias maneiras de raciocinar para chegar aos mesmos resultados.
As quatro fórmulas
Matematicamente, os dois raciocínios se resolvem com quatro fórmulas — duas para cada caso, conforme se trabalhe com índice ou com produtividade.
USANDO ÍNDICE
USANDO PRODUTIVIDADE
QTDE = quantidade de serviço.
Calcular a duração a partir do índice ou da produtividade
- Quantidade = 1.440 kg de armação
- Índice do armador = 0,10 h/kg
- Recursos = 3 armadores
- Jornada diária = 8 h
ou, pela produtividade do armador, de 10 kg/h:
USANDO ÍNDICE
USANDO PRODUTIVIDADE
Calcular a equipe a partir do índice ou da produtividade
- Quantidade = 1.440 kg de armação
- Índice do armador = 0,10 h/kg
- Duração = 6 dias
- Jornada diária = 8 h
ou, pela produtividade do armador, de 10 kg/h:
Quadro Duração-Recursos
Na prática das construtoras, o mais comum é o planejador atribuir a duração às atividades e então calcular o efetivo necessário. É assim quando se define de antemão que a pintura de cada pavimento será feita em 10 dias, ou que cada pilar do viaduto terá a fôrma erguida em 5 dias.
Numa obra com muitas atividades, a boa medida é concentrar todos os cálculos de duração e equipe em uma planilha única — o Quadro Duração-Recursos (QDR).
| Dados de entrada | Dados de saída | ||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Atividade | UN | Qtde | Equipe básica | Índice da equipe | Jornada (h/dia) | Dias da equipe básica | Duração adotada (dias) | Qtde de equipes | Recursos |
| Vêm do orçamento: quantitativo, equipe básica e índice da equipe. Os dias da equipe básica são calculados. | O planejador arbitra a duração; a planilha devolve quantas equipes e quantos recursos são necessários. | ||||||||
Definir a duração e calcular os recursos
| Atividade | UN | Qtde | Equipe básica | Índice da equipe | Jornada (h/dia) |
|---|---|---|---|---|---|
| Escavação | m³ | 190 | 2 serventes | 2 h/m³ | 8 |
| Fôrma | m² | 320 | 1 carpinteiro + 1 ajudante | 1 h/m² | 8 |
| Armação | kg | 6.000 | 1 armador + 1 ajudante | 0,08 h/kg | 8 |
| Concreto | m³ | 40 | 1 pedreiro + 8 serventes | 8 h/m³ | 8 |
A equipe básica de 1 armador + 1 ajudante gasta 0,08 h por kg. Os 6.000 kg demandam 6.000 × 0,08 = 480 h da equipe, o que equivale a 60 dias de trabalho.
Aí entra a decisão do planejador: se ele impõe que a atividade seja executada em 12 dias, são necessárias 5 equipes (5 armadores + 5 ajudantes).
| Entrada | Saída | ||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Atividade | Qtde | Equipe básica | Índice | Jornada | Dias da equipe básica | Duração adotada | Qtde de equipes | Recursos | Total |
| Escavação | 190 m³ | 2s | 2 h/m³ | 8 | 48 | 10 | 5 | servente | 10 |
| Fôrma | 320 m² | 1c + 1a | 1 h/m² | 8 | 40 | 5 | 8 | carpinteiro / ajudante | 8 / 8 |
| Armação | 6.000 kg | 1f + 1a | 0,08 h/kg | 8 | 60 | 12 | 5 | armador / ajudante | 5 / 5 |
| Concreto | 40 m³ | 1p + 8s | 8 h/m³ | 8 | 40 | 8 | 5 | pedreiro / servente | 5 / 40 |
A escavação sai com 48 dias arredondados na planilha do autor (190 × 2 ÷ 8 = 47,5). Em destaque, a duração arbitrada pelo planejador.
O formato alternativo
Outro formato de QDR produz o mesmo resultado. Nele se informam os índices não da equipe, mas de cada recurso individualmente. É mais trabalhoso, porém mais prático quando o orçamento traz índices por recurso — como fazem os softwares de orçamento mais comuns.
| Atividade | Qtde | Recurso | Índice do recurso | Jornada | Dias | Duração adotada | Qtde recursos |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Escavação | 190 m³ | Servente | 4 h/m³ | 8 | 95 | 10 | 10 |
| Fôrma | 320 m² | Carpinteiro | 1 h/m² | 8 | 40 | 5 | 8 |
| Ajudante | 1 h/m² | 8 | 40 | 5 | 8 | ||
| Armação | 6.000 kg | Armador | 0,08 h/kg | 8 | 60 | 12 | 5 |
| Ajudante | 0,08 h/kg | 8 | 60 | 12 | 5 | ||
| Concreto | 40 m³ | Pedreiro | 8 h/m³ | 8 | 40 | 8 | 5 |
| Servente | 64 h/m³ | 8 | 320 | 8 | 40 |
O preenchimento é diferente nos dois casos. No formato original entra-se com a equipe básica e o índice da equipe; no alternativo, com os índices de cada recurso.
O formato original é mais prático e sintético quando o planejador tem os índices da equipe básica — o que nem sempre acontece. Nos EUA, as obras são sempre orçadas a partir da produtividade da equipe básica.
O formato alternativo é mais trabalhoso, porém mais fácil quando os índices do orçamento são por recurso e não por equipe, como é comum nas construtoras brasileiras.
É muito fácil montar um QDR em planilha eletrônica. Para trabalhar com produtividade em vez de índice, basta trocar a fórmula de cálculo.
Exemplo passo a passo — Barragem Alegria
Para o esquema de desvio do rio Alegria, os quantitativos são os do quadro abaixo. Com as produtividades definidas na orçamentação, as durações foram calculadas supondo 8 h/dia e semana de 5 dias:
| Cód. | Atividade | Quantidade | Produtividade | Duração (semanas) |
|---|---|---|---|---|
| Acessos | ||||
| A | Acesso ao túnel | 3 km | 0,2 km/dia | 3 |
| B | Acesso à ensecadeira de montante | 1 km | 0,2 km/dia | 1 |
| C | Acesso à ensecadeira de jusante | 2 km | 0,2 km/dia | 2 |
| Túnel | ||||
| D | Emboque do túnel | 12.000 m³ | 100 m³/h | 3 |
| E | Escavação do túnel | 150 m | 3 m/dia | 10 |
| Ensecadeiras | ||||
| F | Construção da ensecadeira de montante | 30.000 m³ | 150 m³/h | 5 |
| G | Construção da ensecadeira de jusante | 12.000 m³ | 150 m³/h | 2 |
| Fundação da barragem | ||||
| H | Esgotamento | 100.000 m³ | 100 l/s | 7 |
| I | Escavação da fundação | 80.000 m³ | 250 m³/h | 8 |
Confira uma linha para fixar o método: emboque do túnel = 12.000 m³ ÷ (100 m³/h × 8 h/dia) = 15 dias úteis = 3 semanas.
Banco de dados de produtividade
A tabela a seguir traz produtividades médias de serviços de edificações, retiradas de bancos de dados correntes. Servem de referência para o dimensionamento de durações.
| Serviço | Índice | Produtividade | Produção dia (8 h) | Equipe básica |
|---|---|---|---|---|
| Serviços preliminares | ||||
| Limpeza de terreno | 1,00 h/m² | 1,00 m²/h | 8,00 m²/dia | — |
| Demolição de alvenaria | 0,80 h/m² | 1,25 m²/h | 10,00 m²/dia | 2p+5s |
| Demolição de concreto armado | 1,60 h/m³ | 0,63 m³/h | 5,00 m³/dia | 2p+3s |
| Demolição de pisos cerâmicos | 0,53 h/m² | 1,88 m²/h | 15,00 m²/dia | 2p+2s |
| Demolição de revestimento | 0,72 h/m² | 1,39 m²/h | 11,11 m²/dia | 2p+2s |
| Escavação manual de valas até 2 m | 2,00 h/m³ | 0,50 m³/h | 4,00 m³/dia | 2s |
| Escavação manual de valas de 2 m a 4 m | 1,00 h/m³ | 1,00 m³/h | 8,00 m³/dia | 1p+5s |
| Reaterro simples manual | 4,00 h/m³ | 0,25 m³/h | 2,00 m³/dia | 2s |
| Reaterro compactado mecanicamente | 0,16 h/m³ | 6,25 m³/h | 50,00 m³/dia | 1a+eq |
| Canteiro — barracão | 2,67 h/m² | 0,38 m²/h | 3,00 m²/dia | 1c+1s |
| Canteiro — tapume | 2,00 h/m² | 0,50 m²/h | 4,00 m²/dia | 1c+1s |
| Fundação | ||||
| Estaqueamento in loco | 0,16 h/m | 6,25 m/h | 50,00 m/dia | 1op+eq |
| Estaqueamento pré-moldado | 0,08 h/m | 12,50 m/h | 100,00 m/dia | 1op+eq |
| Brocas — perfuração | 0,80 h/m | 1,25 m/h | 10,00 m/dia | 2s |
| Brocas — concretagem | 0,53 h/m | 1,88 m/h | 15,00 m/dia | 2p+2s |
| Fôrmas — fabricação, tábuas retas | 1,60 h/m² | 0,63 m²/h | 5,00 m²/dia | 1c+1a |
| Fôrmas — colocação, tábuas retas | 0,57 h/m² | 1,75 m²/h | 14,00 m²/dia | 1c+1a |
| Armação — fabricação CA-50 | 0,08 h/kg | 12,50 kg/h | 100,00 kg/dia | 1f+1a |
| Armação — colocação CA-50 | 0,16 h/kg | 6,25 kg/h | 50,00 kg/dia | 1f+1a |
| Lançamento de concreto estrutural manual | 1,33 h/m³ | 0,75 m³/h | 6,00 m³/dia | 2p+7s |
| Lançamento de concreto estrutural com grua | 0,44 h/m³ | 2,25 m³/h | 18,00 m³/dia | 2p+2s |
| Adensamento de concreto estrutural | 0,67 h/m³ | 1,50 m³/h | 12,00 m³/dia | 2p |
| Estrutura | ||||
| Concretagem com betoneira 320 l | 0,18 h/m³ | 5,62 m³/h | 44,99 m³/dia | 2p+7s |
| Fôrmas de compensado, retas — fabricação | 1,78 h/m² | 0,56 m²/h | 4,50 m²/dia | — |
| Fôrmas de compensado, retas — colocação | 0,94 h/m² | 1,06 m²/h | 8,50 m²/dia | — |
| Fôrmas de compensado, retas — desfôrma | 0,16 h/m² | 6,25 m²/h | 50,00 m²/dia | — |
| Fôrma geral | 0,53 h/m² | 1,88 m²/h | 15,00 m²/dia | 2c+2a |
| Armação em geral | 0,07 h/kg | 15,00 kg/h | 120,00 kg/dia | 1f+1a |
| Alvenaria | ||||
| Tijolo maciço 10 cm | 0,80 h/m² | 1,25 m²/h | 10,00 m²/dia | 1p+1s |
| Tijolo furado 15 cm (10×20×20) | 0,53 h/m² | 1,88 m²/h | 15,00 m²/dia | 1p+1s |
| Bloco de concreto 20×20×40 | 1,14 h/m² | 0,88 m²/h | 7,00 m²/dia | 1p+1s |
| Bloco de concreto 15×20×40 | 0,80 h/m² | 1,25 m²/h | 10,00 m²/dia | 1p+1s |
| Bloco de concreto 10×20×40 | 0,53 h/m² | 1,88 m²/h | 15,00 m²/dia | 1p+1s |
| Elementos vazados de concreto | 2,40 h/m² | 0,42 m²/h | 3,33 m²/dia | 1p+1s |
| Revestimentos de paredes | ||||
| Chapisco grosso | 0,32 h/m² | 3,13 m²/h | 25,00 m²/dia | 1p+1s |
| Chapisco fino | 0,40 h/m² | 2,50 m²/h | 20,00 m²/dia | 1p+1s |
| Emboço | 0,40 h/m² | 2,50 m²/h | 20,00 m²/dia | 1p+1s |
| Reboco | 0,40 h/m² | 2,50 m²/h | 20,00 m²/dia | 1p+1s |
| Massa única | 0,29 h/m² | 3,50 m²/h | 28,00 m²/dia | 1p+1s |
| Azulejos | 1,00 h/m² | 1,00 m²/h | 8,00 m²/dia | 1la+1s |
| Pastilhas | 1,60 h/m² | 0,63 m²/h | 5,00 m²/dia | 1p+1s |
| Revestimento de pisos | ||||
| Piso de cerâmica | 1,00 h/m² | 1,00 m²/h | 8,00 m²/dia | 1la+1s |
| Piso cimentado liso | 0,80 h/m² | 1,25 m²/h | 10,00 m²/dia | 1p+1s |
| Piso de granilite | 0,64 h/m² | 1,56 m²/h | 12,50 m²/dia | 1p+1s |
| Piso de mármore | 1,23 h/m² | 0,81 m²/h | 6,50 m²/dia | 1ass+1s |
| Rodapé de cerâmica | 0,80 h/m | 1,25 m/h | 10,00 m/dia | 1p+1s |
| Soleira de mármore ou cerâmica | 2,00 h/m | 0,50 m/h | 4,00 m/dia | 1o+1a |
| Divisórias e forros | ||||
| Forro metálico | 2,50 h/m² | 0,40 m²/h | 3,20 m²/dia | — |
| Divisórias metálicas | 5,00 h/m² | 0,20 m²/h | 1,60 m²/dia | — |
| Coberturas | ||||
| Madeiramento para telhas cerâmicas | 0,80 h/m² | 1,25 m²/h | 10,00 m²/dia | 1c+1a |
| Telha de fibrocimento 8 mm | 0,32 h/m² | 3,13 m²/h | 25,00 m²/dia | 1p+2s |
| Telha cerâmica | 0,80 h/m² | 1,25 m²/h | 10,00 m²/dia | 1p+2s |
| Tratamentos | ||||
| Argamassa impermeável | 3,00 h/m² | 0,33 m²/h | 2,67 m²/dia | — |
| Pintura asfáltica em fundação | 0,40 h/m² | 2,50 m²/h | 20,00 m²/dia | — |
| Impermeabilização de caixa d'água | 6,00 h/m² | 0,17 m²/h | 1,33 m²/dia | — |
| Esquadrias | ||||
| Janela de alumínio anodizado | 5,00 h/m² | 0,20 m²/h | 1,60 m²/dia | 1o+1a |
| Janela de correr | 2,00 h/un | 0,50 un/h | 4,00 un/dia | 1c+1a |
| Porta | 2,27 h/un | 0,44 un/h | 3,52 un/dia | 1c+1a |
| Porta de madeira completa | 2,67 h/un | 0,38 un/h | 3,00 un/dia | 1c+1a |
| Porta corta-fogo | 16,00 h/un | 0,06 un/h | 0,50 un/dia | 1p+2s |
| Pintura | ||||
| Raspagem de superfície | 0,53 h/m² | 1,88 m²/h | 15,00 m²/dia | 1r+1a |
| Emassamento e lixamento | 0,40 h/m² | 2,50 m²/h | 20,00 m²/dia | 1p |
| Pintura de paredes | 1,20 h/m² | 0,83 m²/h | 6,67 m²/dia | — |
| Pintura de esquadrias de madeira | 1,40 h/m² | 0,71 m²/h | 5,71 m²/dia | — |
| Pintura de esquadrias metálicas | 0,90 h/m² | 1,11 m²/h | 8,89 m²/dia | — |
| Esmalte | 1,06 h/m² | 0,94 m²/h | 7,55 m²/dia | 1p+1a |
| Verniz | 1,06 h/m² | 0,94 m²/h | 7,55 m²/dia | 1p+1a |
| Retoques | 0,27 h/m² | 3,75 m²/h | 30,00 m²/dia | 1p+1a |
| Instalações e peças hidráulicas | ||||
| Instalação hidráulica | 0,47 h/pto | 2,13 pto/h | 17,00 pto/dia | 1en+1a |
| Instalação elétrica | 0,89 h/pto | 1,13 pto/h | 9,00 pto/dia | 1en+1a |
| Fossa séptica — colocação | 0,50 h/pto | 2,00 pto/h | 16,00 pto/dia | 1en+1a |
| Bacia de louça com caixa acoplada | 6,00 h/un | 0,17 un/h | 1,33 un/dia | 1en |
| Lavatório com coluna | 6,60 h/un | 0,15 un/h | 1,21 un/dia | 1en |
| Chuveiro | 1,00 h/un | 1,00 un/h | 8,00 un/dia | 1en |
| Vidros e estrutura metálica | ||||
| Vidro | 0,60 h/m² | 1,67 m²/h | 13,33 m²/dia | 1v+1a |
| Estruturas metálicas pesadas (acima de 20 t) | 0,27 h/t | 3,75 t/h | 30,00 t/dia | eq |
| Estruturas metálicas leves (até 5 t) | 0,05 h/t | 18,75 t/h | 150,00 t/dia | eq |
| Limpeza final | ||||
| Limpeza de pisos e revestimentos | 0,40 h/m² | 2,50 m²/h | 20,00 m²/dia | 2s |
| Limpeza de vidros | 0,60 h/m² | 1,67 m²/h | 13,33 m²/dia | 2s |
| Limpeza geral | 0,70 h/m² | 1,43 m²/h | 11,43 m²/dia | 2s |
Legenda das equipes
Extrato da Tabela 6.2 do livro, cortesia do Eng. Pedro Antônio Lousan Badra — Sistemática Badra de Dados. A tabela completa cobre muitos outros serviços; consulte a obra quando o que você procura não estiver aqui.
Como calculamos duração aqui
Leitura da nossa equipe
Este é o capítulo que mais protege a empresa de cronograma fantasioso. Duração não é opinião: é quantidade × índice ÷ (equipe × jornada). Quem defende um prazo sem mostrar essas grandezas está apresentando uma conta de chegada.
A origem do índice segue uma ordem de preferência: primeiro o histórico medido nas nossas obras (o acervo que o quadrante C do PDCA alimenta), depois o índice do orçamento da obra e só então tabela de mercado. Quando usarmos tabela, isso fica registrado na memória de cálculo.
- Toda duração tem memória de cálculoQuantidade, índice ou produtividade, equipe e jornada. Sem esses quatro campos, a atividade não entra no cronograma.
- O índice do cronograma conversa com o do orçamentoDivergir é permitido, mas com justificativa por escrito. Índice diferente sem justificativa é desvio de custo esperando para acontecer.
- Atividade entre 1 e 10 diasMenor que 1 dia, funde com outra. Maior que 10 dias, desmembra em fases. Atividade longa demais esconde avanço e atrapalha a medição semanal.
- Dia útil semprePrazo de fornecedor quase sempre vem em dia corrido — converta antes de lançar. É o erro mais barato de evitar e o mais caro de descobrir tarde.
- Jornada normal como baseHora extra não entra na estimativa inicial. Ela é recurso para recuperar atraso, não premissa de plano.
- Bom senso no efetivoAntes de dobrar a equipe para cortar o prazo pela metade, pergunte se cabe gente na frente de serviço. A produtividade cai quando a equipe se acotovela.
- QDR em planilha únicaTodos os cálculos de duração e equipe da obra em um arquivo só, no formato por recurso — que é como nosso orçamento gera índices.
O que vale para a nossa equipe
Verificação rápida antes de fechar as durações de um cronograma:
- Toda atividade tem quantidade, índice (ou produtividade), equipe e jornada registrados.
- A origem de cada índice está identificada: histórico próprio, orçamento ou tabela de mercado.
- As durações foram estimadas uma a uma, sem olhar para o prazo total.
- Nenhuma duração usou hora extra ou turno adicional como premissa.
- Os prazos de fornecedores foram conferidos: dias úteis ou dias corridos?
- Nenhuma atividade ficou menor que 1 dia nem maior que 10 dias sem justificativa.
- O efetivo calculado cabe fisicamente na frente de serviço.
- Existe um QDR único da obra, e ele é a fonte das durações lançadas no software.
Material interno de treinamento, elaborado pela equipe a partir da estrutura do Capítulo 6 de Planejamento e Controle de Obras, de Aldo Dórea Mattos. O texto é redação própria, com comentários e rotinas adaptados à nossa realidade; os exemplos numéricos e o extrato da Tabela 6.2 reproduzem dados do autor para estudo interno. Para o conteúdo completo, consulte a obra.