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Portal / Planejamento e controle / Capítulo 5

MATERIAL INTERNO / EQUIPE DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DE OBRAS

CAPÍTULO 5Estrutura Analítica do Projeto

Antes de existir cronograma, existe decomposição. A EAP é o mapa que transforma a obra inteira em pacotes de trabalho pequenos o bastante para planejar — e é o primeiro passo do roteiro visto no Capítulo 4.

ASSUNTOEstrutura Analítica do Projeto (EAP)
PÚBLICOEquipe técnica e de campo
BASEMattos, A. D.
USOTreinamento interno
5.0

Identificar antes de programar

O primeiro passo do roteiro do planejamento, visto no capítulo anterior, consiste em identificar as atividades que serão levadas em consideração pelo planejador e que vão compor o cronograma geral da obra.

Essa etapa exige atenção especial porque é nela que se decompõe o escopo total do projeto em unidades de trabalho mais simples e de manuseio mais fácil. Aquilo que não for identificado e relacionado sob a forma de atividade simplesmente não integrará o cronograma — e o que não está no cronograma não é gerenciado.

A identificação das atividades não deve ser trabalho de uma única pessoa. É preciso que haja contribuição e participação de todos os envolvidos no projeto. A omissão de uma atividade — ou de uma série delas — é um problema que pode assumir proporções gigantescas no futuro: se uma parte do escopo não for contemplada no cronograma, a obra poderá sofrer atraso e aumento de custo.

Desmembrar o projeto em atividades não é trabalho simples. Invariavelmente exige leitura cuidadosa de projetos, entendimento da metodologia construtiva a ser empregada e capacidade de representar as tarefas de campo sob a forma de pacotes de trabalho pequenos e compreensíveis. A técnica mais recomendável para essa identificação é a decomposição do escopo sob a forma de Estrutura Analítica do Projeto (EAP), o assunto deste capítulo.

5.1

Escopo do projeto

Dá-se o nome de escopo ao conjunto de componentes que perfazem o produto e os resultados esperados do projeto — em outras palavras, a abrangência, o alcance do projeto como um todo.

Não se pode gerenciar um projeto sem que suas fronteiras estejam bem definidas. Ao se definir o escopo, amarra-se o que será objeto do planejamento. O que não estiver no escopo original não será planejado, não será programado e não será comunicado às equipes de campo. O que não for relacionado ficará de fora do cronograma e, em decorrência disso, não será delegado a nenhum responsável.

Dica para o planejador

O planejador deve dedicar grande esforço na identificação dos pacotes de trabalho para gerar um planejamento que faça sentido e seja aplicável na prática. É preciso que o escopo considerado seja aceito e aprovado por todos os envolvidos: gerentes, engenheiros, responsáveis por frentes etc. Ao acatar o escopo definido, as partes envolvidas tornam-se coautoras do planejamento e não poderão culpar a equipe técnica por descuido ou omissão.

Essa ressalva é importante porque muitas vezes os projetos de estrutura, por exemplo, exigem cimbramentos complicados ou execução em várias fases, e o planejador — por não ser especialista na área — pode simplificar em demasia as tarefas e as durações. Se for dada chance à produção de checar as atividades consideradas, mitiga-se o desconforto de futuramente considerar o planejamento inexequível.

Durante a definição do escopo é comum que alguns elementos ainda não estejam totalmente especificados. Nesses casos, se o planejador não consegue ainda "quebrar" o serviço em atividades menores, deve ao menos deixar o elemento identificado para posterior detalhamento — a falta de nível de detalhe não é desculpa para excluí-lo do planejamento. Um exemplo típico é o paisagismo, que muitas vezes não está plenamente definido no início da obra, mas que pode entrar provisoriamente no cronograma como uma tarefa genérica, a ser desmembrada depois em plantio de grama, plantio de árvores, espelho d'água, iluminação direcionada etc.

A técnica de deixar um pacote de trabalho amplo para decomposição futura recebe o nome de planejamento em ondas sucessivas (rolling wave planning). À medida que o momento de execução do pacote se aproxima, o grau de informação cresce e o planejador pode aumentar o nível de detalhe.
5.2

A Estrutura Analítica do Projeto

Para se planejar uma obra é preciso subdividi-la em partes menores. Esse processo é chamado decomposição: por meio dele, o todo — a obra em seu escopo integral — é progressivamente desmembrado em unidades menores e mais simples de manejar. Os grandes blocos são sucessivamente esmiuçados na forma de pacotes de trabalho menores, até se chegar a um grau de detalhe que facilite a estipulação da duração, dos recursos requeridos e da atribuição de responsáveis.

A estrutura hierarquizada que a decomposição gera é chamada de Estrutura Analítica do Projeto (EAP). Basta pensar em uma árvore genealógica: o avô em um nível, os filhos no nível abaixo, os netos no nível seguinte, e assim por diante. O nível superior representa o escopo total — nesse nível há apenas um item, o projeto como um todo. A partir daí a EAP se ramifica em tantos galhos quantos forem necessários, e cada "caixinha" é desdobrada em componentes menores no nível seguinte.

Não há regra definida para construir a EAP. Dois planejadores podem chegar a duas EAP bastante diferentes para o mesmo projeto — o critério de decomposição é responsabilidade de quem planeja. O importante é que, qualquer que tenha sido a lógica escolhida, todos os trabalhos constituintes do projeto estejam identificados ao final e que a EAP represente a totalidade do escopo ("regra dos 100%").

A Estrutura Analítica do Projeto (EAP) também é conhecida pela expressão Work Breakdown Structure (WBS), que em inglês significa "estrutura de decomposição do trabalho".

Vejamos o exemplo de uma casa simples. A EAP pode ser feita de várias formas:

(a) decomposição por partes físicas
CASA INFRAESTRUTURA SUPERESTRUTURA PAREDES COBERTURA INSTALAÇÕES ESCAVAÇÃO SAPATAS ALVENARIA REVESTIMENTO PINTURA MADEIRAMENTO TELHAS INST.ELÉTRICA INST.HIDRÁULICA
(b) decomposição por grandes serviços
CASA FUNDAÇÃO ESTRUTURA ACABAMENTO SAPATAS ALVENARIA TELHADO INSTALA-ÇÕES REVESTI-MENTO PINTURA
(c) decomposição por especialidade de trabalho
CASA CIVIL ELÉTRICA ESANITÁRIA ESTRUTURA FUNDAÇÃO PAREDES TELHADO MADEIRAMENTO TELHA ACABAMENTO INST.ELÉTRICAS INST.HIDRÁULICAS
(d) decomposição por etapas globais
CASA OBRA BRUTA OBRA FINA FUNDAÇÃO ALVENARIA INSTALA-ÇÕES REVESTI-MENTO PINTURA
(e) decomposição por tipo de contratação
CASA SERVIÇOSPRÓPRIOS SERVIÇOSTERCEIRIZADOS ESCAVAÇÃO SAPATA ALVENARIA REVESTI-MENTO INSTALA-ÇÕES PINTURA
Figura 5.1 — Diferentes possibilidades de EAP para o mesmo projeto (construção da casa): (a) decomposição por partes físicas; (b) decomposição por grandes serviços; (c) decomposição por especialidade de trabalho; (d) decomposição por etapas globais; (e) decomposição por tipo de contratação

Alguns comentários sobre as EAP mostradas:

  • A EAP da Fig. 5.1a desce até o 4º nível, embora nem todos os ramos cheguem até lá. O nível inferior de cada ramo gera um total de nove pacotes de trabalho para o planejamento — são eles que integrarão o cronograma;
  • A EAP da Fig. 5.1b desce até o 3º nível, desmembrando o escopo total em seis pacotes de trabalho. O pacote Fundação só se desdobra em uma única atividade (Sapatas), o que não é tecnicamente uma solução elegante, porque decomposição pressupõe desdobramento em mais de uma subatividade;
  • A EAP da Fig. 5.1c desce até o 5º nível, definindo sete pacotes de trabalho no final da ramificação. Embora desdobre muito o pacote Estrutura, os demais pacotes ficaram muito genéricos — a EAP ficou com uma aparência assimétrica;
  • A EAP da Fig. 5.1d desce até o 3º nível, decompondo o escopo em apenas cinco pacotes de trabalho. É uma EAP bem simples: Fundação compreende a escavação e a concretagem da sapata, serviços que ficam apenas subentendidos, quando melhor seria que estivessem explicitados;
  • A EAP da Fig. 5.1e desce até o 3º nível e define seis pacotes de trabalho. A subdivisão do segundo nível só faz sentido se a separação entre serviços próprios e terceirizados for muito importante do ponto de vista gerencial.

Dica para o planejador

Desmembrar um pacote em apenas um "subpacote" não faz sentido. Decomposição pressupõe desdobramento em mais de um ramo.

5.2.1

Até onde decompor?

Eis uma boa pergunta, geralmente feita por todo planejador. Na verdade, não há regra definida e a resposta fica por conta do bom senso. Tudo é função do grau de controle que se quer imprimir ao planejamento: muito detalhe acarreta uma rede extensa e um custo de controle mais elevado; pouco detalhe rende uma rede sucinta e de custo de controle mais baixo, porém o planejamento pode ficar pouco "profundo" e pouco prático de acompanhar.

Um ponto a ponderar é o tempo médio das atividades do planejamento. Não é viável trabalhar com atividades muito genéricas e longas misturadas com atividades de duração reduzida. É preciso haver equilíbrio nas durações — não é coerente haver em um cronograma atividades com duração em meses e outras em dias, ou algumas em semanas e outras em anos.

Um serviço como concretagem da laje, por exemplo, pode ser considerado atividade única ou subdividido em forma, corte e dobra da ferragem, instalação da armação, lançamento do concreto, cura e desforma. Com o desdobramento em atividades menores, a rede fica mais detalhada, porém mais longa e complexa. Em uma obra predial, que depende muito de lajes, a EAP mais detalhada é boa ideia. Já numa estrada, se a laje em questão é a de uma parada de ônibus, é mais aconselhável manter o serviço único, por se tratar de algo menor e pouco representativo no todo.

Dica para o planejador

Uma recomendação importante é avaliar até que ponto o desmembramento do serviço em atividades menores melhora o acompanhamento da obra.

Um exemplo clássico é a execução de um telhado: um planejador pode desmembrar o serviço em madeiramento e telhas, enquanto outro cresce o nível de detalhe até "colocação da telha 1", "colocação da telha 2"... "colocação da telha 1.253". Será que esse preciosismo agregaria valor, ou apenas criaria uma enorme dor de cabeça para quem fosse atualizar a rede?

É conhecido um caso em que, para cada porta de uma grande edificação, o planejador subdividiu o serviço em batente, dobradiça superior, dobradiça inferior, folha da porta e alizares. Esse é o tipo de desmembramento desnecessário: envolve atividades pequenas e rápidas, que poderiam estar agrupadas sem prejuízo do acompanhamento.

É interessante perceber também que, à medida que a EAP se aperfeiçoa, a equipe adquire mais segurança com relação à obra, fica mais confiante quanto aos prazos e o planejador pode reduzir a contingência de tempo incorporada ao cronograma.

Dica para o planejador

Várias especificações técnicas de órgãos americanos impõem que a duração mínima seja de 1 dia e a máxima o dobro da periodicidade de atualização da rede — se a atualização for semanal, a duração máxima é de duas semanas (10 dias); se for quinzenal, 30 dias, e assim por diante.

Preferimos teorizar como 1 dia < d < 10 dias:

a) Se uma atividade identificada tiver d < 1 dia, ela é considerada pequena demais e deverá ser fundida a outra(s) para formar uma atividade mais longa;

b) Se uma atividade tiver d > 10 dias, ela deve ser desmembrada em pacotes menores (fase I e fase II etc.).

5.2.1.1

EAP de subcontratos

No caso de obras que têm subcontratos — cravação de estacas, instalações elétricas e hidráulicas, impermeabilização, revestimento de gesso etc. — o trabalho de planejamento não deve ser menor. A estrutura analítica deve ser desenvolvida mesmo assim, preferencialmente fornecida pelo subcontratado, pois é ele que conhece bem o serviço. O fato de um grupo de atividades ser executado por empresa terceirizada não implica que ela fique de fora do planejamento — ao contrário, incluir as atividades do subcontratado na rede é uma maneira de envolvê-lo no esforço global de planejamento e garantir um melhor monitoramento.

Dica para o planejador

É comum vermos tarefas terceirizadas representadas como uma única barra no cronograma. Essa prática não é correta, porque peca por resumir a uma linha um conjunto de atividades múltiplas e distintas.

Instalações elétricas são o exemplo típico. O ideal é subdividi-las em rasgo das paredes, colocação de eletrodutos, enfiação, instalação de luminárias e testes.

É sempre recomendável amarrar no contrato de prestação de serviço o encargo de fornecer a EAP ao construtor.

5.2.1.2

EAP analítica

Outro formato possível para a EAP é a listagem analítica ou sintética — o formato com que os principais softwares de planejamento trabalham.

A essência é simples: cada novo nível da EAP é "indentado" em relação ao anterior, isto é, as atividades são alinhadas mais internamente. Tarefas de um mesmo nível têm o mesmo alinhamento; quanto mais indentada a atividade, menor o nível a que pertence. A EAP analítica geralmente vem associada a uma numeração lógica, segundo a qual cada novo nível ganha um dígito a mais, e presta-se muito bem para relatórios.

A EAP da Fig. 5.1a teria a seguinte aparência no formato analítico de um software de planejamento:

NºAtividade
0Casa
11 Infraestrutura
21.1 Escavação
31.2 Sapatas
42 Superestrutura
52.1 Paredes
62.1.1 Alvenaria
72.1.2 Revestimento
82.1.3 Pintura
92.2 Cobertura
102.2.1 Madeiramento
112.2.2 Telhas
122.3 Instalações
132.3.1 Instalação elétrica
142.3.2 Instalação hidráulica
Figura 5.2 — EAP analítica
5.2.1.3

EAP como mapa mental

Além do formato tradicional de árvore de blocos, a EAP pode também ser apresentada sob a forma de mapa mental, uma solução visualmente atraente e de fácil criação.

Um mapa mental é um diagrama utilizado para representar ideias, organizadas radialmente a partir de um conceito central. A estrutura é de árvore, com ramos divididos em ramos menores — mas o mapa fixa mais a imagem, centralizando a ideia central e o espírito de decomposição progressiva. Em relação à EAP por blocos, o mapa mental tem a vantagem de mostrar toda a decomposição do projeto em uma tela única, sem precisar rolar a barra do programa.

A EAP da Fig. 5.1a tem a seguinte aparência como mapa mental:

CASA Infraestrutura Superestrutura Paredes Cobertura Instalações Escavação Sapatas Alvenaria Revestimento Pintura Madeiramento Telhas Instalação elétrica Instalação hidráulica
Figura 5.3 — EAP em mapa mental

Dica para o planejador

Os mapas mentais são excelentes ferramentas para trabalhos em equipe e para o desenvolvimento inicial da ideia. Servem muito bem para explicar a EAP, por apresentarem feição bastante intuitiva.

Para sessões em grupo, o planejador pode conseguir ótimos resultados com mapas mentais. O fato de não precisar rolar barras na tela já garante uma vantagem didática expressiva.

Exemplo passo a passo — Barragem Alegria

O desvio do rio Alegria é uma das principais etapas da construção de uma barragem. Na Barragem Alegria, as características topográficas e hidrológicas ditaram a adoção do arranjo espacial abaixo.

Para que o maciço da barragem possa ser construído entre as duas ombreiras, é preciso desviar o rio de seu curso natural por meio de um túnel. Concluído o túnel, constroem-se as ensecadeiras de montante e de jusante. A partir daí, bombeia-se a água represada (esgotamento) e inicia-se a escavação do terreno para implantação da fundação da barragem. A obra conta com acessos até o túnel e até cada uma das ensecadeiras.

RIORIO ENSECADEIRA DE JUSANTE BARRAGEM ENSECADEIRA DE MONTANTE TÚNEL DE DESVIO Acesso ao túnel Acesso à ensecadeira de jusante Acesso à ensecadeira de montante OMBREIRA OMBREIRA
Figura 5.4 — Arranjo geral da barragem (esquemático)

Com essas premissas, a EAP da obra fica sendo:

(a) em árvore
FUNDAÇÃODA BARRAGEM ACESSOS TÚNEL ACESSOTÚNEL ACESSO ENSEC.MONTANTE ACESSO ENSEC.JUSANTE EMBOQUE DOTÚNEL ESCAVAÇÃODO TÚNEL
ENSECADEIRAS FUNDAÇÃO MONTANTE JUSANTE ESGOTA-MENTO ESCAVAÇÃO
(b) analítica (código/atividade)
CódigoAtividade
Acessos
AAcesso ao túnel
BAcesso até a ensecadeira de montante
CAcesso até a ensecadeira de jusante
Túnel
DEmboque do túnel
EEscavação do túnel
Ensecadeiras
FConstrução da ensecadeira de montante
GConstrução da ensecadeira de jusante
Fundação da barragem
HEsgotamento
IEscavação para fundação da barragem
(c) mapa mental
Barragem Acessos Túnel Ensecadeiras Fundação Túnel Ensecadeira montante Ensecadeira jusante Emboque Escavação Montante Jusante Esgotamento Escavação
Figura 5.5 — EAP da barragem: (a) em árvore; (b) analítica; (c) mapa mental
Este exemplo será retomado nos próximos capítulos, à medida que o roteiro do planejamento avançar para durações, precedências e cronograma.
5.3

Propriedades da EAP

As propriedades de uma EAP são muitas:

  • Cada nível representa um refinamento do nível imediatamente superior;
  • As subtarefas representam 100% do escopo da tarefa do nível imediatamente superior (regra dos 100%): se um pacote de trabalho é desmembrado em três atividades, elas representam a totalidade do alcance do pacote;
  • A soma do custo dos elementos de cada nível é igual a 100% do nível imediatamente superior;
  • O custo de cada elemento da estrutura equivale à soma dos custos dos elementos subordinados;
  • Juntas, as atividades de nível mais baixo nos diversos ramos da EAP representam o escopo total do projeto;
  • Uma mesma atividade não pode estar em mais de um ramo;
  • Duas atividades são mutuamente excludentes: não pode haver sobreposição de trabalho entre elas (seria uma redundância desnecessária);
  • Atividades não incluídas na EAP não tomam parte do projeto;
  • As atividades são relacionadas em ordem lógica de associação de ideias, não em ordem cronológica;
  • As atividades de nível mais baixo são mensuráveis e podem ser atribuídas a um responsável (pessoa ou equipe).
5.4

Benefícios da EAP

Vários são os benefícios que a criação da EAP traz para o projeto:

  • Ordena o pensamento e cria uma matriz de trabalho lógica e organizada;
  • Individualiza as atividades que serão as unidades de elaboração do cronograma;
  • Permite o agrupamento das atividades em famílias correlatas;
  • Facilita o entendimento das atividades consideradas e do raciocínio utilizado na decomposição dos pacotes de trabalho;
  • Facilita a verificação final por outras pessoas;
  • Facilita a localização de uma atividade dentro de um cronograma extenso;
  • Facilita a introdução de novas atividades;
  • Facilita o trabalho de orçamentação porque usa atividades mais precisas e palpáveis;
  • Permite a atribuição de códigos de controle que servem para alocação dos custos incorridos no projeto;
  • Evita que uma atividade seja criada em duplicidade.

A EAP como ponto de partida do roteiro

Leitura da nossa equipe

O Capítulo 4 mostrou o roteiro do planejamento em seis passos. A EAP é o que sustenta o primeiro deles: se a EAP está incompleta ou mal decomposta, todos os passos seguintes herdam o defeito — duração, precedência, rede, caminho crítico e cronograma são construídos em cima do que a EAP identificou. Atividade que não entrou na EAP não vira barra no Gantt, e vira aditivo ou atraso mais tarde.

Por isso tratamos a EAP como um documento de equipe, não de gabinete — a mesma lógica da reunião de acompanhamento do Capítulo 1: quem só recebe a EAP pronta não se sente responsável por ela.

  • A EAP nasce em grupo, não no computador do planejadorEngenheiro de produção, mestre e suprimentos revisam a decomposição antes de ela virar cronograma. Pacote esquecido na EAP é descoberto tarde demais.
  • Regra dos 100%, sempreAntes de fechar a EAP, perguntamos: some tudo isso e o resultado é a obra inteira? Se sobrar escopo fora dos pacotes, a EAP não está pronta.
  • Subcontratado entrega a própria EAPInstalações, fundações especiais, impermeabilização: o subcontratado decompõe o próprio serviço e assina embaixo. Isso vai para o contrato, não fica combinado de boca.
  • Onda sucessiva para o que não está definidoPaisagismo, decoração, itens de última hora entram como pacote genérico e são detalhados quando a informação chega — nunca ficam de fora só porque ainda não têm projeto.
  • Duração-alvo entre 1 e 10 dias por atividadeServe como termômetro: atividade maior que isso provavelmente esconde mais de um pacote; menor que isso provavelmente deveria estar agrupada.
  • A EAP não muda depois que a rede está calculadaSe aparecer escopo novo, ele entra como pacote novo na EAP — e a rede é recalculada a partir dali. Não se empurra atividade para dentro de um pacote que já tem outro sentido.
5.6

O que vale para a nossa equipe

Verificação rápida antes de aprovar uma EAP:

  • A EAP foi revisada por quem vai executar, não só por quem planeja.
  • A soma dos pacotes de cada nível representa 100% do nível superior — nada de escopo subentendido.
  • Nenhuma atividade aparece em mais de um ramo, e não há sobreposição de trabalho entre pacotes.
  • O nível de detalhe é parecido entre ramos — sem um pacote genérico ao lado de outro fatiado ao extremo.
  • Cada subcontratado forneceu a própria EAP do serviço que executa.
  • Itens ainda não definidos entraram como pacote genérico, e não ficaram de fora do escopo.
  • As atividades de nível mais baixo têm duração compatível com o ciclo de atualização da rede (entre 1 e 10 dias).
  • Toda atividade de nível mais baixo tem um responsável identificável — pessoa ou equipe.

Material interno de treinamento, elaborado pela equipe a partir da estrutura do Capítulo 5 de Planejamento e Controle de Obras, de Aldo Dórea Mattos. O texto é redação própria; as figuras foram redesenhadas a partir dos diagramas do autor, mantendo os dados dos exemplos (casa e Barragem Alegria). Para o conteúdo original, consulte a obra.