Por que não é só somar as durações
Agora que já temos a rede montada com todas as atividades ligadas entre si, segundo uma lógica racional, e já dispomos da duração de cada atividade, o passo seguinte é calcular o prazo do projeto — a duração total da obra.
Se todas as atividades estivessem em série, bastaria somar as durações de todas elas. Porém, como há paralelismo de atividades, a coisa não é tão imediata assim.
Calcular a duração total impõe realizar algumas comparações entre tempos. Como no capítulo anterior, a técnica será mostrada nos dois métodos de construção do diagrama: método das flechas e método dos blocos. Ambos produzem o mesmo resultado; o que muda são as regras para efetuar os cálculos e a forma de registrar o tempo na rede.
Cálculo pelo método das flechas
Como o ADM calcula
No método das flechas, a duração da atividade é representada na própria flecha. Para calcular o prazo total da rede, faz-se o cômputo do tempo total gasto até cada evento ser atingido. Por se tratar de uma sequência cronológica, as contas são feitas evento a evento.
Como exemplo didático, vamos recorrer a uma rede simples de seis atividades. Ela vai nos acompanhar até o fim da Parte 1 e voltar depois, na Parte 2, resolvida pelo outro método:
| Ativ. | Predecessoras | Duração |
|---|---|---|
| A | — | 1 |
| B | A | 3 |
| C | A | 1 |
| D | B | 4 |
| E | C | 3 |
| F | D, E | 2 |
A duração total do projeto não é a soma das seis durações (1+3+1+4+3+2 = 14), porque há simultaneidade entre algumas delas. É preciso buscar quem está "governando" o prazo da rede, qual é o caminho que controla o tempo total do projeto.
Tempo mais cedo do evento
Ao evento inicial do projeto atribui-se a data zero (Tc0 = 0), escrita na parte de baixo do círculo. A partir daí, a regra é:
• O tempo em que o evento é alcançado é igual à duração da atividade que chega nele somada ao tempo do evento de onde ela se origina.
• No caso de haver duas ou mais atividades que chegam a um mesmo evento, o tempo do evento é o maior entre as somas.
No exemplo, o tempo mais cedo de cada evento é:
- Tc₅ = Tc₀ + duração de A = 0 + 1 = 1
- Tc₁₀ = Tc₅ + duração de B = 1 + 3 = 4
- Tc₁₅ = Tc₅ + duração de C = 1 + 1 = 2
Para o evento 20 chegam duas flechas (D e E), então toma-se o maior dos dois totais:
por E → Tc₁₅ + E = 2 + 3 = 5 Prevalece Tc₂₀ = 8
Basta pensar que o tempo do evento 20 determina quando F pode começar — e ele não pode iniciar antes do dia 8, pois F depende da conclusão de D e de E.
- Tc₂₅ = Tc₂₀ + duração de F = 8 + 2 = 10 → prazo do projeto: 10 dias
O Tempo Mais Cedo (Tc) é a primeira data em que o evento pode ser alcançado. Por convenção, um evento só é considerado atingido quando todas as atividades que chegam a ele tiverem sido completadas: é impossível executar uma atividade se qualquer uma das que convergem para seu evento inicial estiver inacabada.
O Tempo Mais Cedo de um evento é o máximo valor obtido para a soma da duração das atividades que a ele chegam com o Tempo Mais Cedo de seus respectivos eventos de origem:
Tc₀ = 0 | Tc = máx (Tcevento predecessor + Datividade predecessora)
Esse cálculo é feito no sentido cronológico da rede — a ordem em que o projeto vai ser executado. É o que se chama de passada para frente ou direta (forward pass). Em redes pequenas, o próprio cálculo dos Tempos Mais Cedo já ajuda a detectar as atividades que comandam o prazo. Em redes mais complexas, o caminho crítico só fica visível quando calculamos também o Tempo Mais Tarde.
Tempo mais tarde do evento
Esqueçamos o caminho crítico por uns instantes. Agora que os Tempos Mais Cedo foram calculados, surge uma indagação: quão tarde pode cada evento ocorrer? Até que ponto pode ser postergado sem que o prazo de conclusão do projeto se altere?
É para resolver essa questão que surge o Tempo Mais Tarde do evento (Tt). Como sabemos que algumas atividades possuem folga, é lógico que deve existir flexibilidade temporal em alguns pontos da rede.
A conta é feita de trás para frente, do fim para o começo da rede — a passada reversa (backward pass). Ao evento finalíssimo atribui-se como Tempo Mais Tarde o próprio Tempo Mais Cedo, que é o prazo total: Tt₂₅ = 10.
- Tt₂₀ = Tt₂₅ − duração de F = 10 − 2 = 8
- Tt₁₅ = Tt₂₀ − duração de E = 8 − 3 = 5
- Tt₁₀ = Tt₂₀ − duração de D = 8 − 4 = 4
Para o evento 5 há que se prestar atenção: dele partem duas flechas (B e C) e, portanto, é preciso comparar dois valores, escolhendo-se o menor deles:
por C → Tt₁₅ − C = 5 − 1 = 4 Prevalece Tt₅ = 1
Por quê? Porque se admitíssemos que o Tempo Mais Tarde fosse 4, a rede autorizaria B a começar até t = 4 — o que estouraria o prazo de 10 dias. Deve-se tomar o menor tempo.
- Tt₀ = Tt₅ − duração de A = 1 − 1 = 0
O Tempo Mais Tarde de um evento é o mínimo valor obtido da subtração da duração das atividades que saem dele, do tempo tarde dos eventos a que elas se destinam:
Ttfinal = Tcfinal | Tt = mín (Ttevento sucessor − Datividade sucessora)
Guarde o par de regras: na ida, soma e pega o maior; na volta, subtrai e pega o menor. Praticamente todo erro de cálculo manual de rede é inverter uma dessas duas.
Evento crítico
Os eventos cujos Tempos Mais Cedo e Mais Tarde são idênticos são chamados de eventos críticos.
Evento crítico: TEMPO MAIS CEDO = TEMPO MAIS TARDE
No exemplo, os eventos críticos são 0, 5, 10, 20 e 25. A sequência de atividades que une os eventos críticos é aquela que define o prazo total do projeto. A essas atividades se dá o nome de atividades críticas, e o caminho que as une constitui o caminho crítico, representado por um traço mais forte.
Caminho crítico
O caminho crítico é, portanto, A-B-D-F. Essa é a sequência de atividades que comanda o projeto do ponto de vista de tempo. É importante identificá-lo porque um atraso nele fatalmente significa atraso no prazo de conclusão.
O caminho crítico é a sequência de atividades que concorrem para a determinação da duração total. Antes desse prazo, o projeto não pode ser concluído de acordo com os dados informados.
Uma conclusão importante que decorre disso: o caminho crítico é justamente a sequência que une os eventos cujos Tempos Mais Cedo e Mais Tarde são iguais. Sendo Cedo igual a Tarde, o evento não tem flexibilidade temporal e, se não for atingido exatamente naquele instante, atrasará o projeto todo.
O que a rede nos autoriza a concluir
- Se a duração de A for reduzida de 1 para 0,5 dia, o prazo total cai de 10 para 9,5 — porque A é crítica.
- Se a duração de B for reduzida de 3 para 2, o prazo cai de 10 para 9 — porque B é crítica.
- O mesmo vale para D (de 4 para 3) e para F (de 2 para 1): o prazo cai para 9.
- De nada adianta reduzir a duração de C ou de E: esse ganho não se transfere ao prazo total, que continuará sendo 10 — porque elas não são críticas.
- Se a duração de C for ampliada para 2, o prazo total não se altera. Se a de E for para 4, idem.
- Mas se a duração de C for aumentada para 5, o prazo se altera — C passará a fazer parte do caminho crítico.
O caminho crítico no cronograma
No cronograma de barras, as atividades críticas devem ser mostradas em um padrão diferente: bordas mais grossas, cor destacada, hachuras.
Em suma
Calcular tempos e identificar o caminho crítico — bloco de fundação
É o exemplo do Capítulo 8, com algumas atividades a mais:
| Cód. | Atividade | Predecessoras | Duração (dias) |
|---|---|---|---|
| A | Limpeza do terreno | — | 1 |
| B | Locação da fundação | A | 1 |
| C | Escavação da fundação | B | 3 |
| D | Montagem das fôrmas | C | 2 |
| E | Fornecimento do aço | — | 5 |
| F | Preparação da armação | E | 4 |
| G | Colocação da armação | D, F | 4 |
| H | Mobilização da betoneira | — | 6 |
| I | Instalação/teste da betoneira | A, H | 2 |
| J | Concretagem | G, I | 1 |
Note que é necessário incluir uma atividade-fantasma A′ para que I dependa de A e de H sem prender as demais.
- Tc₀ = 0 (evento inicial)
- Tc₅ = 0 + 1 = 1
- Tc₁₀ = 0 + 5 = 5
- Tc₁₅ = 1 + 1 = 2
O evento 20 recebe duas atividades (H e a fantasma A′):
por A′ → Tc₂₀ = 1 + 0 = 1 Prevalece o maior: Tc₂₀ = 6
- Tc₂₅ = 2 + 3 = 5
O evento 30 recebe duas atividades (D e F):
por F → Tc₃₀ = 5 + 4 = 9 Prevalece o maior: Tc₃₀ = 9
O evento 35 recebe duas atividades (G e I):
por I → Tc₃₅ = 6 + 2 = 8 Prevalece o maior: Tc₃₅ = 13
- Tc₄₀ = 13 + 1 = 14 → prazo total: 14 dias
Já dá para perceber que as atividades que "imperaram" na determinação do prazo foram E, F, G e J. Vamos checar isso pela passada reversa.
Tempos Mais Tarde (passada reversa)- Tt₄₀ = Tc₄₀ = 14 (evento final)
- Tt₃₅ = 14 − 1 = 13
- Tt₃₀ = 13 − 4 = 9
- Tt₂₅ = 9 − 2 = 7
- Tt₂₀ = 13 − 2 = 11
- Tt₁₅ = 7 − 3 = 4
- Tt₁₀ = 9 − 4 = 5
Do evento 5 partem duas atividades (B e a fantasma A′):
por A′ → Tt₅ = 11 − 0 = 11 Prevalece o menor: Tt₅ = 3
Do evento 0 partem três atividades (A, E e H):
por E → Tt₀ = 5 − 5 = 0
por H → Tt₀ = 11 − 6 = 5 Prevalece o menor: Tt₀ = 0
Os eventos em que Tc e Tt coincidem são 0, 10, 30, 35 e 40. As atividades críticas são as que ligam esses eventos:
- Atividade 0-10 = Fornecimento de aço (E)
- Atividade 10-30 = Preparação da armação (F)
- Atividade 30-35 = Colocação da armação (G)
- Atividade 35-40 = Concretagem (J)
O caminho crítico é a sequência E-F-G-J — um caminho contínuo do início ao fim do projeto.
Uma maneira de "ver" a folga é analisar o próprio cronograma de barras. As críticas não podem variar de posição; as demais (A, B, C, D, H e I) podem flutuar sem afetar a duração total.
Indo do fim para o início: a atividade I pode deslizar cinco dias para frente até encostar em J. Para H, o mesmo raciocínio: pode avançar cinco dias até encostar em I. D tem como sucessora G, havendo margem de dois dias. Para C, B e A, o mesmo procedimento leva à conclusão de que as três possuem dois dias de folga.
A atividade-fantasma não integra o cronograma porque não representa um serviço fisicamente executável. Ela só serve para a montagem do diagrama de flechas.
Interpretação do planejamento- O caminho crítico é composto prioritariamente de atividades ligadas ao serviço armação.
- Um dia de atraso em qualquer das críticas (E, F, G, J) atrasa o projeto; um dia poupado nelas antecipa o projeto.
- Um dia de atraso em qualquer das não críticas (A, B, C, D, H, I) não atrasa o projeto — e um dia poupado nelas não antecipa.
- A atividade individualmente mais longa (H, com 6 dias) não está no caminho crítico.
- Para reduzir o prazo de 14 dias, a saída é eleger uma das críticas e tentar ganhar um dia nela: obter o aço mais rápido (fornecedor mais expedito ou empréstimo de barras de obra próxima), estender algumas horas a jornada do preparo da armação, criar prêmio por produtividade para os armadores ou dobrar a equipe de colocação da armação.
- Esforços para reduzir a duração de uma atividade não crítica não trariam nenhum benefício de prazo. São inócuas medidas como colocar todas as atividades em hora extra.
- Acelerar a escavação com mais recursos não acarreta redução de prazo da obra.
- A mobilização da betoneira (H) pode ser retardada em até cinco dias, terminando no dia 11 e I no dia 13, coincidindo com o término de G. Um atraso de seis dias em H excederia a folga e a colocaria no caminho crítico.
- Se A não iniciar no dia 1, nem tudo está perdido: ela tem dois dias de folga, podendo iniciar até o dia 3.
- Se a escavadeira não tiver chegado até o dia 4, o gerente precisa providenciar o início da escavação no dia seguinte (5) — este é o último dia em que C pode começar sem atrasar o projeto.
- Se for preciso modificar o projeto das fôrmas e a tarefa D se estender até o dia 9, isso pode ser acomodado: D tem dois dias de folga.
- Se o fornecedor de aço só garante entrega para o dia 8, há indício de que a obra vai atrasar três dias. O gerente deve agir para garantir que, no mais tardar no dia 5, as barras estejam no canteiro.
- Se a betoneira que virá de outra obra levar oito dias em vez de seis para mobilizar, não haverá problema de prazo — desde que no máximo no dia 11 ela esteja mobilizada e pronta para ser testada.
Tempo Mais Cedo — é aquele a partir do qual as atividades que partem desse evento podem começar. Nenhuma atividade que "nasça" desse evento pode começar antes.
Tempo Mais Tarde — é aquele até o qual as atividades que chegam ao evento devem terminar. Se alguma for concluída após esse limite, o projeto atrasará na mesma medida.
Uma rede maior — tente antes de olhar a resolução
Calcular os Tempos Mais Cedo e Mais Tarde e identificar o caminho crítico da rede abaixo. As durações estão nas flechas.
- Tc₀ = 0
- Tc₁ = 0 + 3 = 3
- Tc₂ = 0 + 2 = 2
- Tc₃ = 3 + 3 = 6
- Tc₄ = o maior entre 3 + 1 = 4 e 2 + 4 = 6
- Tc₅ = 2 + 2 = 4
- Tc₆ = o maior entre 6 + 5 = 11 e 6 + 4 = 10
- Tc₇ = o maior entre 6 + 5 = 11 e 4 + 1 = 5
- Tc₈ = 11 + 2 = 13
- Tc₉ = o maior entre 11 + 3 = 14 e 11 + 8 = 19
- Tc₁₀ = o maior entre 13 + 3 = 16 e 19 + 3 = 22
- Tt₁₀ = Tc₁₀ = 22
- Tt₉ = 22 − 3 = 19
- Tt₈ = 22 − 3 = 19
- Tt₇ = 19 − 8 = 11
- Tt₆ = o menor entre 19 − 2 = 17 e 19 − 3 = 16
- Tt₅ = 11 − 1 = 10
- Tt₄ = o menor entre 16 − 4 = 12 e 11 − 5 = 6
- Tt₃ = 16 − 5 = 11
- Tt₂ = o menor entre 6 − 4 = 2 e 10 − 2 = 8
- Tt₁ = o menor entre 11 − 3 = 8 e 6 − 1 = 5
- Tt₀ = o menor entre 5 − 3 = 2 e 2 − 2 = 0
Os eventos críticos (Tc = Tt) são 0, 2, 4, 7, 9 e 10. O caminho crítico é a sequência de atividades que une esses eventos: 0-2, 2-4, 4-7, 7-9, 9-10. Prazo total: 22.
Três perguntas que todo planejador faz
- Uma atividade-fantasma pode estar no caminho crítico?
- Uma rede pode ter um caminho crítico duplo?
- Uma rede pode ter todas as atividades críticas?
A resposta para as três é sim — e cada uma delas aparece em uma das redes a seguir. Tudo é uma questão de aritmética.
a) A fantasma pode ser crítica
Nesta rede, o caminho mais longo passa pela atividade-fantasma (duração zero). Ela não existe no canteiro, mas existe na conta: o caminho crítico vale 4 + 0 + 5 + 3 + 3 = 15.
b) O caminho crítico pode ter ramificações
Aqui, a partir de certo ponto o caminho crítico se divide em dois ramos que chegam ao fim com o mesmo total de 12. Os dois ramos são críticos: atrasar qualquer um atrasa o projeto.
c) Todas as atividades podem ser críticas
Nesta rede, todos os caminhos valem 15. Resultado: nenhuma atividade tem folga. É muito improvável de acontecer em uma rede longa, mas a matemática não impede.
Calcular o prazo total e identificar o caminho crítico do desvio do rio Alegria, com as durações em semanas definidas no Capítulo 6:
| Cód. | Atividade | Predec. | Duração |
|---|---|---|---|
| Acessos | |||
| A | Acesso ao túnel | — | 3 |
| B | Acesso até a ensecadeira de montante | A | 1 |
| C | Acesso até a ensecadeira de jusante | — | 2 |
| Túnel | |||
| D | Emboque do túnel | A | 3 |
| E | Escavação do túnel | D | 10 |
| Ensecadeiras | |||
| F | Construção da ensecadeira de montante | B, E | 5 |
| G | Construção da ensecadeira de jusante | C | 2 |
| Fundação da barragem | |||
| H | Esgotamento | F, G | 7 |
| I | Escavação para fundação da barragem | H | 8 |
Prazo total: 36 semanas. O caminho crítico é A-D-E-F-H-I — passa pelo túnel, não pelos acessos. As atividades C e G (ensecadeira de jusante) têm 17 semanas de folga: dá para começá-las muito depois sem comprometer nada, e seria desperdício mobilizar equipe para elas logo no início da obra.
Cálculo pelo método dos blocos
A célula de cálculo
No método dos blocos (PDM), o registro dos tempos é feito nos próprios blocos que representam as atividades. Cada bloco vira uma pequena planilha de oito células:
Mudança de vocabulário: no ADM falávamos de tempos do evento; aqui falamos de datas da atividade. PDI e PDT são a primeira data de início e de término; UDI e UDT, a última. É um jeito mais direto de ler, e é exatamente o que os softwares mostram.
Os dez passos do cálculo
Vamos usar a mesma rede simples do início do capítulo (A=1, B=3, C=1, D=4, E=3, F=2).
Passada para frente (passos 1 a 4)
1. Escreve-se o valor 0 na parte inferior da barra de início. Esse valor é transferido para a célula PDI das atividades iniciais (as sem predecessoras).
2. Calcula-se a primeira data de término dessas atividades:
3. A PDI de cada atividade é a PDT de sua predecessora. Em outras palavras, a PDT é transferida às sucessoras como PDI. No caso de uma atividade ter mais de uma predecessora, adota-se o maior valor:
4. Calcula-se a PDT de cada atividade pela mesma fórmula do passo 2. O término mais cedo do projeto é anotado na parte inferior da barra de fim.
Passada reversa (passos 5 a 8)
5. Atribui-se como término mais tarde do projeto a própria data do término mais cedo (10), anotada na parte superior da barra de fim. Esse valor é transferido para as atividades finais como UDT.
6. A última data de início das atividades finais é dada por:
7. A UDI é transferida para as predecessoras como UDT. Caso uma atividade tenha mais de uma sucessora, a UDT é a menor das UDI das sucessoras:
8. Calcula-se a UDI de cada atividade pela fórmula do passo 6. Ao final, anota-se o início mais tarde do projeto na parte superior da barra de início.
Folgas e caminho crítico (passos 9 e 10)
9. A folga total (FT) é calculada por:
A folga total representa quanto a atividade pode atrasar sem atrasar o prazo do projeto. O caminho crítico é a sequência de atividades de menor folga total — aqui, no caso, folga nula.
10. A folga livre (FL) é calculada por:
A folga livre representa quanto a atividade pode atrasar sem prejudicar o início mais cedo (PDI) de suas sucessoras. Repare na diferença: C tem folga total 3, mas folga livre 0 — se C atrasar um dia, E não poderá mais começar no dia 2, embora o projeto ainda termine em 10.
ADIANTE NO LIVROO Capítulo 10 trata das folgas em detalhe — total, livre, dependente e independente — e de como calculá-las direto no cronograma.
O bloco de fundação resolvido em blocos
Mesmas dez atividades do Exemplo 9.1, agora pelo PDM. O resultado tem de ser o mesmo: 14 dias e caminho E-F-G-J.
Repare em G: suas predecessoras são D (PDT 7) e F (PDT 9); prevalece o maior, PDI = 9. Em I: predecessoras A (PDT 1) e H (PDT 6); prevalece 6.
Passada reversa — UDT e UDIEm A: sucessoras são B (UDI 3) e I (UDI 11); prevalece a menor, UDT = 3.
Folgas e caminho crítico| Ativ. | PDI | PDT | UDI | UDT | FT | FL | Situação |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| E | 0 | 5 | 0 | 5 | 0 | 0 | crítica |
| F | 5 | 9 | 5 | 9 | 0 | 0 | crítica |
| G | 9 | 13 | 9 | 13 | 0 | 0 | crítica |
| J | 13 | 14 | 13 | 14 | 0 | 0 | crítica |
| A | 0 | 1 | 2 | 3 | 2 | 0 | 2 dias de folga |
| B | 1 | 2 | 3 | 4 | 2 | 0 | 2 dias de folga |
| C | 2 | 5 | 4 | 7 | 2 | 0 | 2 dias de folga |
| D | 5 | 7 | 7 | 9 | 2 | 2 | 2 dias, livres |
| H | 0 | 6 | 5 | 11 | 5 | 0 | 5 dias de folga |
| I | 6 | 8 | 11 | 13 | 5 | 5 | 5 dias, livres |
A tabela mostra o mesmo que o cronograma da Figura 9.10: A, B, C e D com dois dias; H e I com cinco. E deixa visível a diferença entre folga total e livre — A, B, C e H têm folga total mas folga livre zero, porque consumi-la empurra a sucessora.
Mesmo resultado da Figura 9.18: 36 semanas, caminho crítico A-D-E-F-H-I. A folga de C e G aparece agora como número dentro do bloco: 17 semanas, iguais na folga total e na livre.
Como calcular com outros tipos de ligação
Nos capítulos anteriores vimos que duas atividades podem estar relacionadas por TI, II, IT ou TT, com ou sem defasagem. Como fica o cálculo da rede com esses vínculos? O exemplo a seguir é praticamente o mesmo do início do capítulo, com a ressalva de que agora há uma ligação II + 2:
| Ativ. | Predecessora | Duração |
|---|---|---|
| A | — | 5 |
| B | A | 6 |
| C | A | 8 |
| D | B (II+2) | 10 |
Na passada direta, o cálculo é simples para A, B e C. Para D, é preciso levar em conta que seu início é condicionado pelo início de B: PDID = PDIB + retardo = 5 + 2 = 7. O resto segue igual, chegando-se a uma duração total de 17 dias.
Na passada inversa, começamos por D e preenchemos suas datas. A "sacada" é entender como calcular B: pelo diagrama, B não tem sucessora a partir de seu término, isto é, ela se comunica com o final do projeto e, portanto, UDTB = 17. Para obtermos UDIB, aí sim usamos UDID − retardo = 7 − 2 = 5.
O resultado curioso é que, para a atividade B, UDI − PDI ≠ UDT − PDT. É como se B tivesse uma folga de início nula e uma folga de fim igual a 6. B não pode ter seu início atrasado porque isso impacta D e estoura o prazo; mas, após 2 dias (período suficiente para o início de D), B pode se atrasar até 6 dias. Pelo cronograma fica fácil perceber que o início de B condiciona o início de D, sendo B "crítica pelo início", embora tenha folga pelo fim. A rigor, em vez de apontarmos o caminho crítico como A-B-D, o mais correto seria: A; 2 dias de B; D.
Para evitar trabalhar com o conceito de folga de início e folga de término, alguns softwares adotam a menor dessas duas folgas, enquanto outros transformam ligações II com retardo em ligações TI com retardo negativo.
No exemplo anterior, a ligação entre B e D seria alterada para TI − 4. O planejador deve entender que essa simplificação ocorre apenas por conveniência computacional, pois o resultado não é necessariamente o mesmo — B passa a não ter folga alguma.
Prazo imposto e características
Prazo imposto
Em todos os exemplos até aqui, fizemos a passada reversa considerando o prazo mais tarde como o prazo mais cedo do projeto. No método das flechas, repetimos o tempo do evento finalíssimo na parte superior do nó; no método dos blocos, repetimos o prazo na barra de fim.
Entretanto, pode haver projetos em que o prazo final seja imposto — pelo contrato, pelo cliente, pela estação chuvosa. Surgem então três possibilidades. Vamos usar a mesma rede nas três, com prazo calculado de 30 dias.
Tarde = Cedo — o caso normal
São os exemplos tratados até aqui: o prazo de 30 dias é mantido como prazo total. Para os eventos críticos a folga é nula, e portanto as atividades críticas têm folga nula.
Tarde < Cedo — o prazo imposto é menor
Suponhamos a imposição de realizar a obra em 27 dias. O tempo tarde do evento finalíssimo é então imposto como 27, e a partir daí se faz a passada reversa. A conclusão é que o caminho crítico é aquele que une os eventos cujas folgas são iguais e as menores entre as obtidas. Portanto, as atividades críticas são aquelas com menor folga total — aqui, negativa.
Tarde > Cedo — o prazo imposto é maior
Agora suponhamos a imposição de realizar a obra em 33 dias. O caminho crítico é aquele em que as folgas são todas iguais e as menores entre as obtidas — portanto, as atividades críticas são as de menor folga total, aqui positiva.
Nesses casos, o planejador deve reestudar o planejamento para verificar a possibilidade de obter algum ganho financeiro pela desaceleração de algumas atividades — equipe menor, menos turnos, equipamento mais barato.
Em suma
Características do caminho crítico
Esta é a lista para consultar quando a discussão esquentar na reunião:
Como usamos o caminho crítico aqui
Leitura da nossa equipe
Este capítulo fecha o ciclo que começou no Capítulo 4: EAP, durações, precedência, rede e, agora, o número. O caminho crítico não é uma curiosidade do software — é a lista de frentes que a obra tem que proteger todo dia. Se o engenheiro de produção não sabe de cor quais são as três ou quatro frentes críticas da semana, o planejamento não chegou ao campo.
O exemplo do bloco de fundação é o melhor argumento que temos para a reunião: a atividade mais longa (mobilização da betoneira, 6 dias) não é crítica, e o aço — que ninguém vê como "obra" — é. Planejamento serve exatamente para isso: contrariar a intuição quando a intuição está errada.
- O prazo calculado vem antes do prazo contratualPrimeiro se calcula a rede com honestidade; só depois se compara com o contrato. Se faltar prazo, a folga negativa mostra quantos dias e onde procurá-los.
- Caminho crítico na paredeA lista das atividades críticas do mês fica visível na sala da obra e é lida no início da reunião de acompanhamento (Capítulo 1).
- Acelerar só no críticoHora extra geral é desperdício: só reduz prazo o esforço aplicado em atividade crítica. Antes de autorizar reforço, confira em qual caminho a frente está.
- Folga é recurso da obra, não do empreiteiroQuem tem folga cede equipe e equipamento para quem está no crítico. Folga consumida sem controle vira caminho crítico novo.
- Olho nas subcríticasAtividade com 1 ou 2 dias de folga é quase crítica. Elas entram no relatório junto com as críticas, porque viram problema na primeira chuva.
- Folga total ≠ folga livreConsumir folga total empurra as sucessoras; consumir folga livre não. Ao negociar atraso com um subempreiteiro, é a folga livre que diz se alguém mais será afetado.
- Recalcular a cada cicloO caminho crítico muda ao longo da obra. Rede recalculada toda semana, junto com a medição do quadrante C do PDCA.
O que vale para a nossa equipe
Verificação rápida ao receber (ou produzir) uma rede calculada:
- O prazo total foi calculado pela rede, e não ajustado para caber no contrato.
- Existe um caminho crítico contínuo do início ao fim do projeto.
- As atividades críticas estão identificadas no cronograma com destaque visual.
- As folgas foram calculadas e as atividades subcríticas estão sinalizadas.
- Se há prazo imposto menor que o calculado, a folga negativa foi quantificada e há plano para atacá-la.
- Nenhuma decisão de reforço de equipe foi tomada sem conferir se a frente é crítica.
- A rede é recalculada a cada ciclo de acompanhamento, e não só no início da obra.
- A equipe de campo sabe quais são as frentes críticas da semana.
Material interno de treinamento, elaborado pela equipe a partir da estrutura do Capítulo 9 de Planejamento e Controle de Obras, de Aldo Dórea Mattos. O texto é redação própria, com comentários e rotinas adaptados à nossa realidade; as figuras foram redesenhadas a partir dos diagramas do autor, mantendo os dados dos exemplos. Duas correções silenciosas em relação à edição consultada: no Exemplo 9.1, o menor valor entre 3 e 11 é 3, e esse é o Tt do evento 5 (como mostra a própria figura do autor); e a fórmula da folga livre é FL = mín(PDI das sucessoras) − PDT. Para o conteúdo integral, consulte a obra.