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Portal / Planejamento e controle / Capítulo 2

MATERIAL INTERNO / EQUIPE DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DE OBRAS

CAPÍTULO 2Ciclo de vida do projeto

Toda obra nasce, cresce, entrega e encerra. Saber em que estágio ela está define o que se planeja, o que se decide e o que já não dá mais para mudar.

ASSUNTOProjeto e seus estágios
PÚBLICOEquipe técnica e de campo
BASEMattos, A. D.
USOTreinamento interno
2.1

O que é projeto

Na construção, a palavra projeto costuma significar o plano gráfico da edificação: plantas, cortes e cotas, os projetos de arquitetura, estrutura e instalações. É o equivalente ao design em inglês.

Aqui usamos a palavra em outro sentido, o gerencial — o equivalente a project. Nessa acepção, projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo, na definição do PMBoK. É essa a leitura que vale para todo o material de planejamento: quando falarmos em projeto, estamos falando do empreendimento como um todo, e não do desenho.

Dessa definição saem duas características que importam para quem planeja:

Temporário

O projeto tem alcance no tempo, com duração finita e início e fim bem definidos. O fim acontece quando os objetivos estabelecidos são alcançados — não quando a equipe se cansa ou o contrato vence. Prazo, portanto, é parte da definição, não uma consequência.

Produto único

A unicidade se traduz no produto físico que materializa o objetivo do projeto. Não é linha de montagem nem fabricação em série. Mesmo uma construtora que produz blocos de apartamentos iguais não anula esse caráter: são produtos similares que obedecem a um mesmo espírito de projeto, e cada um enfrenta terreno, equipe e condições próprias.

2.1.1

Projeto ou operação continuada

Com essa definição, dá para separar o que é projeto do que é operação contínua e repetitiva. A diferença não é o tamanho nem a complexidade: é a existência de início, fim e produto único.

Quadro 2.1 — Distinção entre projeto e operação continuada
01É projeto 02Não é projeto
Construção de um galpão para armazenamento de grãosMovimentação diária dos grãos com equipamento
Ampliação de uma usina de concretoOperação cotidiana da usina de concreto
Instalação de uma fábrica de peças pré-moldadasFabricação das peças pré-moldadas
Construção de um hotel de 10 andaresOperação e manutenção do hotel

Repare no padrão: à esquerda, construir a estrutura; à direita, usar a estrutura depois de pronta. Operação continuada também precisa de gestão, mas não se planeja com cronograma de obra — se planeja com rotina, meta de produção e manutenção.

2.2

Estágios do ciclo de vida

O ciclo de vida do empreendimento compreende vários estágios. Quando se traça o percentual pronto ao longo do tempo, o resultado é uma curva em S: começo lento, meio acelerado e fim novamente lento.

100% % pronto tempo EstágioI EstágioII EstágioIII EstágioIV

Figura 2.1 — Percentual pronto ao longo do tempo. A inclinação da curva mostra o ritmo de produção: baixo nos estágios de estudo e detalhamento, alto na execução, baixo de novo na finalização.

2.2.1

Os quatro estágios

IESTÁGIO

Concepção e viabilidade

O empreendimento ainda é uma intenção. Define-se o que será feito, se vale a pena e com que dinheiro.

  • Definição do escopo— determinação do programa de necessidades, isto é, as linhas gerais do objeto a ser projetado e construído.
  • Formulação do empreendimento— delimitação do objeto em lotes, fases e forma de contratação.
  • Estimativa de custos— orçamento preliminar, feito com indicadores históricos.
  • Estudo de viabilidade— análise de custo-benefício, avaliação dos resultados esperados frente ao custo orçado e determinação do montante necessário ao longo do tempo.
  • Identificação da fonte orçamentária— recursos próprios, empréstimo, linha de financiamento ou solução mista.
  • Anteprojeto → projeto básico— o anteprojeto evolui até o projeto básico, quando já reúne os elementos necessários para orçamento, especificações e identificação dos serviços.
IIESTÁGIO

Detalhamento do projeto e do planejamento

A intenção vira documento executável. É aqui que nasce o cronograma que a obra vai perseguir.

  • Orçamento analítico— composição de custos dos serviços, com relação de insumos e margem de erro menor que a do orçamento preliminar.
  • Planejamento— elaboração de um cronograma de obra realista, com definição de prazo e marcos contratuais.
  • Projeto básico → projeto executivo— detalhamento do projeto básico, com todos os elementos necessários à execução da obra.
IIIESTÁGIO

Execução

É o estágio mais longo e o de maior consumo de recursos — o trecho íngreme da curva S.

  • Obras civis— execução dos serviços de campo, aplicação de materiais e utilização de mão de obra e equipamentos.
  • Montagens mecânicas e instalações elétricas e sanitárias— atividades de campo.
  • Controle da qualidade— verificação de que os parâmetros técnicos e contratuais foram observados.
  • Administração contratual— medições, diário de obras, aplicação de penalidades e aditivos ao contrato.
  • Fiscalização de obra ou serviço— supervisão das atividades de campo, reuniões de avaliação do progresso e resolução de problemas.
IVESTÁGIO

Finalização

A obra existe, mas o projeto só termina quando é aceito, entregue e liquidado.

  • Comissionamento— colocação em funcionamento e testes de operação do produto final.
  • Inspeção final— testes para recebimento do objeto contratado.
  • Transferência de responsabilidades— recebimento da obra e destinação final do produto.
  • Liberação de retenção contratual— quando a contratante reteve valores da executante.
  • Resolução das últimas pendências— encontro de contas, pagamento de medições atrasadas e negociação de pleitos contratuais.
  • Termo de recebimento— provisório e definitivo.

Onde entra o planejamento em cada estágio

Leitura da nossa equipe

O ciclo de vida não é teoria de livro: ele diz o que a equipe de planejamento deve estar fazendo hoje. O erro mais comum é agir como se planejamento fosse assunto exclusivo do estágio II.

Vale reter uma regra dura do ciclo: a capacidade de influenciar custo e prazo é máxima no começo e mínima no fim — é a Figura 1.1 do capítulo anterior aplicada aos estágios. No estágio I, mudar uma decisão custa uma reunião. No estágio III, custa demolição. Por isso o esforço de planejamento tem que ser pesado justamente quando a curva ainda está baixa e parece que "nada está acontecendo".

  • Estágio I — planejar para decidirAqui o planejamento entrega ordem de grandeza: prazo global, marcos e curva de desembolso. Serve para a decisão de investir, não para tocar a obra.
  • Estágio II — planejar para comprometerÉ onde se constrói a linha de base: EAP, sequência, durações, recursos e marcos contratuais. Depois daqui, todo desvio será medido contra este plano.
  • Estágio III — planejar para controlarO planejamento vira ciclo: programar a semana, medir o avanço, registrar causas de desvio e replanejar. Sem esse ciclo, a linha de base envelhece e é abandonada.
  • Estágio IV — planejar para aprenderEncerramento não é só assinar termo. É fechar produtividades reais, consolidar o histórico e registrar o que atrasou e por quê, para a próxima obra começar melhor.
2.4

O que vale para a nossa equipe

Verificação rápida, aplicável a qualquer empreendimento da carteira:

  • Sabemos dizer, sem hesitar, em que estágio cada obra da carteira está hoje.
  • Quando dizemos "projeto", está claro se falamos do desenho ou do empreendimento.
  • A obra tem início, fim e produto definidos — e não virou operação continuada disfarçada de obra.
  • A linha de base foi fechada no estágio II, antes da mobilização do campo.
  • O orçamento analítico e o cronograma falam a mesma língua: mesmos serviços, mesmas quantidades.
  • As decisões caras estão sendo tomadas enquanto ainda são baratas, no início da curva.
  • O encerramento inclui consolidação de produtividades reais na base histórica da empresa.

Material interno de treinamento, elaborado pela equipe a partir da estrutura do Capítulo 2 de Planejamento e Controle de Obras, de Aldo Dórea Mattos. O texto é redação própria; a definição de projeto é citada do PMBoK, referência usada pelo autor. Para o conteúdo original, consulte a obra.